Concurso

Neste momento a fase de votação do concurso já terminou. Brevemente serão anunciados os 5 poemas finalistas.

Poemas a concurso: (pela ordem com que os recebemos)

Flor

Pétalas aclaradas no vigor de uma chama acesa
Sentem a tua delicada textura e sensibilidade
Dedicas os teus dedos ao calor ténue da beleza
Enquanto me envolves no silêncio da Saudade

Mãos graciosas respiram o aroma iluminado
E aquecem a nudez das pétalas em chama
tSentes a flor sentindo o botão acarinhado
Enquanto o amor na poesia se declama

Leandro Silva

Saudade

Sinto o fado em silêncio e o corpo em decadência
Denegrido por cravos de uma saudade secreta
Traço-a escrita e descrita na dor da tua ausência
Lançando o vazio na poesia de forma discreta

Sinto floreadas e disfarçadas nas noites urbanas
As palavras polidas na taciturnidade que se sente
Quero que a cidade oiça o vazio de semanas
Porque o suicídio da saudade está iminente

Agora que as pestanas da cidade apreciam o momento
Em que o silêncio se quebra nas cordas de uma guitarra
Entrelaço os dedos no teu corpo vestindo o sentimento
Sentindo o prazer de te ter num abraço que nos agarra

Leandro Silva

Rosto

Passo água pelo rosto, olhar cansado
Desvio os dedos ao longo da simetria
Olho-te espelho, olho-te mal amado
Reflexo queimado pelas luzes do dia

Vértices ríspidos me rasgam em mil
Em cubos de vidro de sangue volátil
Excelsa é a dor da volúpia e do agrado
Com que me mordes o rosto cansado

Leandro Silva

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Ando por aí

Ando por aí,

Sozinha, sem rumo a definir

Não vejo nada em meu redor

Só sombra e escuridão

Não me lembro de onde venho

Nem para onde vou

Talvez não vá a parte alguma

Talvez vá só por ir

Em nada consigo pensar

Uma enorme tristeza de mim se apodera

Não quero parar de caminhar

Para quê parar agora?

De repente, caio

Caio, não para o chão

Mas continuo a cair sem parar

Como se o chão nunca tivesse fim

Já nada me espanta

Já nada me assusta

Deixo-me levar

Fecho os olhos devagarinho

Uma lágrima corre-me pela cara

Onde me levará este caminho

Que parece não querer acabar

Continuo a cair

Cada vez mais devagar

Sinto-me a poisar

Leve como um pássaro

Toco ao de leve no chão com os pés

E de repente…

Tudo desaparece

Como que por magia

Desaparece o quê?

Se só escuridão havia?

O que mais podia sumir?

Ora, isso ainda estou para descobrir!

Inês Talefe

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Rios de sangue

Vários rios de sangue
foram derramados
pelas mãos dos homens mal amados.
Rios que transbordam o sabor da vingança
viciado pelo ópio da guerra.
Já não há esperança.
Os homens perderam-na e deixaram-na por terra.
Sem se justificarem, não sentem remorsos, dor,
culpa, não se sentem em paz, amor
Não sentem nada.
E é assim que vivemos?
Ou será melhor dizer sobrevivemos?

Rios, esses rios de sangue
Levando dor, amargura, tristeza, lágrimas.
Mãos, essas mãos, desses homem calados
Pela culpa que carregam não querem lembrar …
Porque não conseguem esquecer …
Tudo aquilo que viram
Tudo aquilo que fizeram
Tudo aquilo que provocaram
E continuamos a ser levados
Por esses homens, acorrentados,
Para as margens desses rios …

Inês Montenegro

Não consigo

Não tenho mais palavras para te dizer
mais letras para te escrever
tudo o que sinto…
O meu coração
está na corda bamba.
Espero pelo tempo que passou…

As horas passam escravas,
olho para as tuas cartas
estão esquecidas, as tuas palavras.
As mãos fartas,
os olhos fundos e afogados
numa tristeza negra e pesada…

A dor de uma partida inesperada.
O desejo de estar contigo.
Não consigo esquecer.

Inês Montenegro

Cafetaria

Permanecendo numa pequena estrela no céu
Um jovem senta-se numa mesa de café e retira o seu chapéu
Certa chávena de café à sua frente fundia-se com o açúcar
A colher sua amiga atirou-se ao chão à espera que haja alguém para lhe pegar

Escrevendo uma nota num papel amarrotado
A tinta desliza letra após letra como um condenado
Um predestinado a declarar o seu mais profundo segredo
Esperando que no coração do seu destinatário não exista um rochedo

Eis que a colher surge sorrateiramente sobre a mesa
E sobre ela uma mão delicada surge como uma surpresa
Então as faces do jovem encardiram e os lábios sorriram
E num gesto simples convidou-a para sentar.

Inês Montenegro

Esquecer de lembrar

Tatuas-me de incertezas,
reservas-me os domínios da dor,
incendeias-me com odores, preenchendo cada recanto meu de fraquezas.

Levas-me à memória que eu julgava esquecida.
Consomes o tempo como se ele te escasseasse
e aprisionas-me na tua teia comprometida.

A melodia que ecoa no radio
É um prenuncio da tua partida
Cada despedida torna-se um gládio
E dentro de mim abre-se uma nova ferida.

Vejo-te partir transparente no nevoeiro no primeiro canto da manhã.
O tempo, o melhor conselheiro,
segreda-me imperceptivelmente o teu regresso
e deste modo tornas-te a essência do meu esquecimento.
O ar alia-se a tudo o que confesso e esmorece-se quente no vidro da janela.
Não é tela, não é página, é pensamento perdido no tempo e no espaço.
A dor que esmaga, a dor que não se vê a dor que se traduz num sorriso que zela
por um dia solarengo, um dia em que me esqueça de te lembrar…

Inês Montenegro


Momentos

São minutos de amargura e de pensamentos negros

lágrimas que escorrem como laminas ao longo rosto

pesando na lama como estacas de madeira

que te prendem ao chão e não te permitem levantar

sentes á tua volta nuvens negras de solidão e de pesar….

a tristeza e o terror da solidão afogam-te numa ternura amarga de sede invisível

sede de algo que te mate dessa vida de pesar e negritude

dessa vida maldita que te afoga,

que te afaga docemente pela cínica e monstruosa juventude.

Inês Montenegro

Sonho dos Deuses

Vou dormir sob o sonho dos deuses, vou entrar na mente demente do meu coração,

quero voltar a ver o meu sorriso, a gargalhada de criança que já esqueci.
Os pensamentos correm na minha cabeça,

à mesma velocidade que a tinta da minha caneta já gasta escreve…

e apenas duas perguntas surgem:

Se nunca lembrasses daquilo que fizeste no segundo atrás?

E se toda a tua memória dependesse da tua atitude em relação ao esquecimento?

Então deixo-me ficar absorta por essas duas perguntas, que me inquietam,

que roubam o meu sossego… então suspiro,

e luto contra aquelas que se esforçam para evacuar os meus olhos…

mas em vão…

porém consigo trava-las antes que cometam o salto final.
O escuro, o silêncio, invadem o meu quarto,

mas também invadem o barulho e as luzes provenientes da rua

que agora é habitada por gatos vadios, e casacos rasgados.

Ouço latas a rolar na estrada, vozes embargadas em álcool, e vidros a partirem-se.

É o quadro amargo e sombrio da minha noite.

As sombras que me assustavam quando era pequena,

dão lugar a novos temores, os fantasmas do passado que não anunciam a sua chegada …

mas que estão sempre na eminência de surgir…
Os Deuses chamam-me agora para os seus braços,

para pernoitarem na minha alma, inconscientemente,

aos poucos deixo-me adormecer no seu berço de embalar …

Inês Montenegro

A tua sombra

Por entre sombras escondidas

Percorro desamparada

Um trilho que desconheço

Por ramos e ramagens desalinhadas

Escondo-me de ti

Esqueço-me que não te vi

Mas és tu quem procuro

És tu quem desconheço

És tu quem receio …

Peço às sombras que revelem os seus corpos

Mas apenas me oferendam o seu eco já gasto

As pistas que me deixam são poucas

E o puzzle fica assim incompleto

Faltam as peças fundamentais

Faltam as cores essenciais

Restam apenas os ecos da tua sombra

Resta apenas o perfume …

Resta apenas o cheiro …

… a tua sombra … onde está?

Inês Montenegro


A tempestade que não entra…

Vejo à minha frente

Um caminho diferente

Um caminho que se diz contente…

Mas eu…

Perco-me no meio de palavras divergentes…

O sonho, só, não basta

Preciso de algo que me afasta

Da ilusão, da incerteza, da incoerência.

A realidade, apenas, não é suficiente

Quero acreditar e confiar nos meus instintos…

Nas minhas vontades…

O nevoeiro, calmamente regressa à minha vida.

Uma nova estação se apresenta.

O vento bate à minha porta

Mas a passividade impede-me de a abrir

Impedindo também que me transforme…

Impedindo que me permita a modificar…

Impedindo um turbilhão de emoções…

Impedindo uma tempestade capaz de lavar as feridas mais profundas…

Quero-te como um furacão.

Quero-te como uma catástrofe,

Como algo capaz de me deitar abaixo…

Mas que em seguida me dê a mão para me erguer outra vez.

E assim de cara e alma lavada talvez mude o meu caminho…

E assim talvez siga mais uma vez por estradas erradas

na esperança de um dia voltar a encontrar-te…

Inês Montenegro


Gato Preto

Um gato preto, que invade a rua

Um gato preto de olhos incandescentes

Um gato preto filho da superstição e da noite de lua cheia

Um gato preto que te encontra

Um gato preto que te ignora

Um gato preto que desconheces

Um gato preto irreconhecível na noite transparente como um manto.

Um gato preto comum num dia nublado

Um gato preto branco que se cruza com o gato preto

Uma estranha mão entendida como uma separação de breves segundos

Olhares impenetráveis, olhares que tudo mostram

Olhares, gatos, a noite, o amanhecer, a insignificância de uma banalidade qualquer.

Inês Montenegro


Dois

Um, Dois
Respirar, inspirar, o bater do coração

Tum Tum Ir e vir, Partir

E regressar, um

Grito, um silêncio

Uma maçã dividida

Em duas partes, duas

Lágrimas, um olhar

Acompanha o outro

Um passo segue o outro, dois sentidos, para cá para

lá. Dois Significados, dois caminhos, duas certezas.

Dois corpos. Duas almas. Amor e ódio. TU e Eu.

AmeoP, sentido ao contrário
Humedecem-me as palavras

Proferidas pelos sentidos da percepção

Repetem-se as palavras

Ao ritmo de um refrão duma prova de provocações…

A formação de cada frase

Antecede o sentido de cada letra, cada sílaba, cada palavra

Constituindo-se então o significado

Como profanação dos túmulos das ideias que te tornam escrava

Gritos esquecidos, perdidos na memória

Relembram-te os gritos mudos rasgados pela multidão

O choro escondido da vergonha da história

Como te sentisses um livro na fogueira da Inquisição

O caminho destruído pela cegueira

Obstáculos imperceptíveis trazem-te uma nova perspectiva do chão

A queda maior, será quando acordares daquela maneira

Em que atendes um novo dia, como se dum telefonema banal se tratasse

Seguirás então as pegadas invisíveis do seu passado

Fantasmas persistentes assombrar-te-ão

Bastar-te-á um grito, uma vontade de abraçar o presente

E sentirás o futuro a encaminhar-se na tua direcção.

Inês Montenegro

Almas

As palavras são os beijos das almas

São sombras fatais em chamas

Incendiando incessantemente

O teu corpo, o teu coração, a tua dor, o teu amor demente…

É o olhar que te envolve

na noite que te devolve

A luz da lua, que te ilumina a rua

Percorres a estrada fria e dura

À espera que o vento te traga a felicidade…

Esperas angustiado pela sua chegada

Que tarda, esperas ansioso pela verdade

Esperas desgostoso, arrependido, desolado

Voltas as costas e fechas os olhos e isolado

Dum mundo que não pertences

Sentes a chama da sombra fatal

Incendiando-te incessantemente sem mal

Beijou-te a alma

E adormeceste no sono da vida, feliz e sem dor

Acompanhado, amado

Por ela, a essência mais pura do amor….

Inês Montenegro


O poeta que eu amei

O poeta que eu amei

Vivo, já não sei se está.

Morto, nem na minha mente

Nem na minha alma, somente no meu coração…

O poeta que eu amei

É livre como toda a gente

Sonha, dorme, fala e grita

Até a sua voz sublime

eu amei, sonhei, chorei.

O poeta que eu amei

É forte e resiste, resiste

E não desiste

É uma onda no mar

Que embate numa rocha sem se quebrar.

O poeta que eu amei

Escreveu sonetos só para mim

Jamais os esqueci, terminavam sem fim…

O poeta que eu amei

Não passa de uma sombra,

De uma lembrança dum sonho

Numa noite de luar…

Inês Montenegro
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E agora?

E agora?
A vida será a mesma sem ti?
E as memórias que ainda guardo em mim
Seguir-me-ão pela vida fora

E agora?
Que contrariedades embalam a vida
Que fizeram de ti uma sombra sumida
Que fizeram com que fosses embora

E agora?
Não partiste. Estás em mim, estás em nós
Altera-se o silencio da voz
Mantém-se a alma que te adora

E agora?

Daniela Traquino

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Pensamentos

Páro,

Penso…
Julgo que estou sozinha,

Mas vejo em mim a companhia…

Puros pensamentos

Inundam o meu ser…

Não sei quem sou,

Nem tão pouco,

Sei o que quero…

Apenas sei que sou sonhadora

E por isso

Quero voar, voar…

Goreti Meca

Não quero guerra

Não quero guerra,

Nem tão pouco gosto de revoluções

Mas também não quero fingimento.

Deus quando concebeu o homem,

Não foi com esta vontade certamente…

Imbecis…

São uns imbecis…

Procuram nos outros

Aquilo que eles próprios não têm.

Sorriem por fingimento,

Falam por conveniência

Actuam para seu próprio proveito.

BASTA!!!

Não quero este mundo,

Não gosto desta vida,

As revoluções existem

Porque há alguém a querer tirar

O que é de toda a gente.

Só me resta,

Lutar…

Mas não luto com as mãos…

Não gosto de sangue,

Luto com o coração

E uso as palavras

Para lhe dar voz…

Um dia isto muda,

Muda,

Meu Deus,

Acreditem.

Por isso,

Perdoai-lhes senhor

Porque eles não sabem o que fazem…

Goreti Meca


Onde está a vida?

Onde está a paz?

Onde está o amor?

Onde está a paixão?

Onde está a união?

Onde?

Onde está a fraternidade?

Onde está a juventude?

Onde está a lealdade?

Onde está a fidelidade…

Onde está?

Onde está a coragem?

Onde está a esperança?

Onde está a liberdade?

Onde está a vida…

Onde?…

Goreti Meca


Dormir

Tenho sono,

Apetece-me dormir,

Mas sempre que fecho os olhos

Ele aparece e não me deixa descansar.

Fecho com força

Na esperança de assim,

O assustar,

Mas quem tem medo sou eu,

Ele nunca me quer deixar…

Assim, de olhos abertos,

Toda a noite penso…

Quem me dera poder fechá-los

E na escuridão apenas aparecesse

Um ponto luminoso.

Seria para mim a porta para a luz

Onde poderia chegar

E sentir-me na plenitude…

Goreti Meca
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Desesperado

Abri a janela, debrucei-me…

Estava vento e chuva.

Calei-me!

Era o silêncio da dor,

que no meu coração ardia.

Estava deprimido,

com vontade de nada fazer.

Sentia-me distante,

num lugar, onde nada mais me podia acontecer

Sentia-me acorrentado,

um pouco abatido,

estava amordaçado,

precisava de falar com um amigo.

Sentado à janela pensei:

“Vou-me atirar!”

Tu meu amigo,

não chores por mim.

Vou estar sempre presente,

de olho em ti.

Espero que me perdoes!

Que havia eu de fazer?

Peço-te que

o mesmo não faças,

por muito que te possa apetecer.

Por mim não chores,

eu não o mereço!

Continua a tua vida,

não a queiras perder!

Eu já perdi,

não há nada a fazer!

É melhor continuares,

ou também acabas por perder

De uma coisa não te esqueças,

vou estar de olho em ti,

e se acabares por perder,

vou chorar,

tal como quiseste chorar por mim

Dizem que o tempo tudo cura,

não sei será verdade,

já há muito que perdi

e continuas pensar em mim!

João André Fontes
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O JARDIM

Ontem escrevi poemas
Nos canteiros do meu jardim.
Animada, afogueada, em alvoroço,
Abraçada a vasos, folhas e pétalas,
Inspirada ao aspirar o aroma silvestre
Das flores, das plantas, da seiva,
Declinei o lápis sedutor e o papel,
Tomei a terra, o ancinho e a colher,
Decidida, quebrei ressequidas ramagens,
Exaltada, daninhas ervas arranquei,
Ao solo me lancei, confiante, e mergulhei
Minhas mãos, na terra fértil e gentil.
Tirei pedras e raízes, desenhei linhas
De promissores bolbos, enterrados
Sob o húmus revolvido e alisado.
Sementes lancei, em métrica cuidada.
Azáleas rimei com admiráveis ciclamens.
Margaridas de fogosas vestes combinei
Com amarelos narcisos em sono recatado.
Confortei o cândido limoeiro e ergui, por fim,
Para o céu, o corpo cansado e feliz,
As faces coradas, o cabelo em desalinho,
Acompanhando a aragem e o sol alaranjado –
Chave de ouro de outonal entardecer –
No caminho luminoso do Poente.

Ilona Bastos

OUTONAL

É o clamor difuso das folhas das árvores
É a verdura que emoldura as pedras da calçada
É o voar dos toldos brancos na tenda do jardim
É o céu em tons de cinzento que súbito chora
É o aroma silvestre da terra e da relva molhada
É o vento que empurra gabardinas e guarda-chuvas
É o assobio que entra pelas frinchas das janelas
É a corrida das gotas de água no pára-brisas
É o aguaceiro que pára, espantado, e sorri
É o reflexo agitado dos ramos nas poças de chuva
É o fumo das castanhas assadas à saída do cinema
É a nuvem dourada das folhas varridas e amontoadas
É o florir inocente das violetas no vaso da minha sala

Ilona Bastos

DIAS OUTONAIS

Tanto necessito de harmonia,
Que dos meus gestos faço dança
Para que a arte torne belos
Estes dias curtos do Outono.

Limpo cada folha da palmeira
Como quem penteia os cabelos de oiro
De uma princesa donzela.

Atento, o meu olhar passeia manso
Sobre as construções passantes,
Quando em trânsito navego na cidade,
E lentos desfilam edifícios altos
Nas margens empedradas da avenida.

Prendo-me aos detalhes do mármore jovem,
Do ferro forjado da varanda antiga,
Às minúcias doces de um jardim cuidado,
À cortina em renda por trás da vidraça…

Rola-me entre os dedos a caneta prata
Sinto-a macia, em ânsias de apontar
As palavras prontas que lestas irrompem
Na tarde outonal.

Na chegada a casa, no abrir da porta,
Na entrada escura, no buscar da luz,
Imito a elegância do bailado,
Cisne encantador, fonte de candura,
Em gestos suaves que no ar desenho…

E assim se passam os dias do Outono.
Como a folha seca que ao vento se entrega
E sonhando voa, ave por segundos,
Cada vez mais alto, mais longe, mais leve,
Até que o remoinho, ao virar da esquina,
Tolha o seu caminho.

Ilona Bastos


CAMPO DE OURIQUE

O bairro está alegre, não sei porquê.
Talvez seja da chuva, que parou.
Ou dos raios de sol, coados pelas nuvens,
que inundam a manhã de uma luminosidade bela,
que desce pelos telhados, infiltra-se na folhagem
e desliza para a calçada,
onde desenha bordados brilhantes,
trabalhados na sombra.

Noto nos transeuntes um semblante animado.
Apercebo-me mesmo do seu andar saltitante,
tão pouco habitual neste bairro antigo.
Tantas e tantas vezes tenho percorrido estas ruas,
observando o cansaço nos rostos com que me cruzo!
Ou será ilusão minha, influenciada que vou
pelas histórias tristes que acabei de ouvir
e pelos conselhos difíceis que tive de dar?

Mas hoje não, não há cansaço, nem rostos sofridos –
o bairro está alegre. E não sei porquê.
É certo que a manhã me sorriu,
que não me couberam dramas, nem tragédias,
que as respostas as tinha na ponta da língua
e que as notícias as pude dar animadoras!

Intrigada, pergunto-me se Fernando Pessoa,
que por estas mesmas calçadas andou,
que também aqui morou durante quinze anos,
notou estes desvarios do pacato bairro
que num belo dia de Setembro resolve ser feliz,
vestir-se de luz dourada, pincelar os edifícios de magia
e brindar os seus habitantes com a graça da felicidade.

Quando Pessoa dizia “Vou num carro eléctrico,
e estou reparando lentamente, conforme é meu costume,
em todos os pormenores das pessoas que vão adiante de mim”,
estaria a referir-se igualmente a estas mudanças bizarras,
a estas revelações inauditas, inesperadas,
em caminhos tão conhecidos, tão familiares
que suporíamos não poderem apresentar para nós
quaisquer segredos ou mistérios?

Repito os passos de Fernando Pessoa.
Dirijo-me ao Jardim da Parada.

Hoje, até a estátua da Maria da Fonte, no jardim,
parece ter perdido a sua rigidez de pedra
e adquirido movimento nos cabelos soltos,
flexibilidade nos gestos de mulher do povo
que reivindica a liberdade.
Acena, risonha, às crianças nos baloiços,
à senhora idosa de bela cabeleira branca,
que empurra o carrinho do neto,
à fonte, em êxtase, que lança diamantes em redor.

Que alegria desgovernada percorre o bairro!
Até me custa deixá-lo, sem saber o que fará
quando lhe virar as costas.
Explodirá em festivos destemperos?
Mas o estômago, insistente, requisita almoço urgente,
e já abandono o jardim, passo a rua das sardinheiras,
volto à esquerda e avanço, desaguo na Maria Pia,
ainda a tempo de ver, voltando a cabeça rapidamente,
as cascatas de luz que descem pelo casario
e inundam o vale de Alcântara.

Ilona Bastos


SILÊNCIO

libertam-se os pensamentos
livres e leves
farrapos de nuvem
no silêncio
da noite

gosto do silêncio
sempre gostei
permite-me escutar o tic tac
a pausa entre o tic e o tac
entender que o tac tem som de toc

por isso gosto do silêncio
onde se estampa o cloc
da porta que é
muito suavemente
fechada

no silêncio se afaga o rumorejar
da roupa que me veste
e ouço atentamente
o som da malha
da fazenda surpreendente

gosto muito do silêncio
que desvenda
o gorgolejar da água
entre a garrafa
e o copo onde se espraia

belo silêncio

me revela os passos
mansíssimos
sobre a carpete do corredor
a caminho do quarto

onde anseio
pelo ranger ligeiro da cama
pelo murmurar inigualável
dos lençóis onde me esperas
e me aninho a sorrir

Ilona Bastos

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AS ONDAS DO VENTO

O vento propagava a luz através da chuva
desenhando fabulosas ondas alaranjadas,
e fazendo sentir que o céu estava vivo.
Era como se ela voasse, flutuando na onda de luz,
sentindo-se vibrante e sem medo,
sendo um componente, uma parte plena, do temporal.
Era como se depois de muitos dias de silêncio,
ela ouvisse música,
era como se esquecesse de vez
as mil fragilidades e mágoas,
as esperanças mal depositadas
num sonho errado que revelara afinal de contas,
um sorriso ausente e um coração vazio.

Agora, na rua, imersa na paisagem revolta,
pairando acima da estrada inundada
e dos finos ramos de árvores
que, quebrados, se juntavam também à onda do vento
sentia-se sendo devolvida a si própria,
como se a luminosa tormenta que a rodeava
lhe trouxesse, no vento,
todas as partes de si, que vinha abandonando,
sem razão nem recompensa,
pelo caminho da vida.
Aspirando perfumes desconhecidos
em meio ao vento,
dava, finalmente, graças a Deus por estar viva.

Maria João Costa
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Um dia… uma vida…

Com o nascer do dia
Largo os sonhos da noite
Vivências da fantasia
Desejos do cavaleiro da mente

É o despertar de emoções
Que revivem os sentimentos
É alegria das sensações
A delicia dos pensamentos

Memorias de sonhos vividos
Da vivência de memorias sonhadas
Canções que percorrem os ouvidos
Imagens que dizem palavras

Um passo me devolve à realidade
Dum erguer para o céu que desperta
Exaltação e sobriedade
Apesar desta vida incerta

A meio da longa jornada
Que curta se torna de desejo
Termine já a manhã passada
O alvorecer que já não vejo

Como uma vida de incerteza
Que dum passado se afasta
Pois é com grande certeza
Que a recordo deveras nefasta

E penso em tudo que falta
O caminho que irei ainda cruzar
A montanha pode ser alta
Mas sem medo a irei trespassar

E com toda a coragem me enfrento
A um longo misterioso caminhar
Sem saber que terrível tormento
Poderei ainda encontrar

Aproximo-me já da saudade
Daquele distante alvorecer
Que me deu esperança e vontade
De nunca olhar para trás e me perder

Recordo cada passo de gigante
Que sempre me fez perceber
Não passo de um grande ignorante
Que tem ainda muito a aprender

E chego agora ao momento
De minhas memorias guardar
Lembrarei todo o sofrimento
E a alegria que ousei desfrutar

Ao dia mostro um sorrir
Não só pelo que pude presenciar
Comprovei que vale a pena pedir
Por mais um dia poder sonhar…

David Luis da Silva Ferreira

Começando

Um sonho foste outrora
Dos mais belos e desejados
Sem saber o chegar da hora
Inicio dos caminhos cruzados

E é no primeiro despertar
Para um mundo sem igual
Que começas a acreditar
Sem sonhar no final

Bem-vindo a este mundo
Tu que não o conheces
Não percas nem um segundo
Pois rapidamente o esqueces

Muito caminho pela frente
Lutas sem igual
Batalhas da mente
Sempre contra o mal

Depressa te despertam
E começam a sonhar
Não só em ti pensam
Mas em ti querem acreditar

Sonhos do passado
Passados a sonhar
Não penses ser o culpado
Pois a vida passa a voar

Dedicado à vida
Criado para a prever
Pois cada caminho sem saída
Terás tu de o resolver

O futuro é o teu
Depende de ti acreditar
Desejas ser um Romeu
E passar a vida a amar?

Serás tudo que quiseres
Ou que alcances sonhar
A questão é seres
Algo em que consigas acreditar

Hás de chegar ao momento
Da ingenuidade desejar
Por tão terrível ser o tormento
De nesta vida continuar

Mas será tua vontade e convicção
De nas trevas te perder
Pois como saberias senão
Que continuas a viver?

David Luis da Silva Ferreira
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Beijo…

Ataco o corpo salgado delicadamente,
Caço a nua orelha,
Contorno o tenso pescoço,
Cubro a incrédula face,
Abraço o corpo doce carinhosamente.

Ajo num impulso demente.
Culpada, a boca maravilhada,
Como perdida no tempo e no espaço,
Começa a saborear a amargurada.
Abro os olhos a amar alucinadamente.

Beijo…

Ultor Aetheris
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Desculpa, por tamanha culpa!

Peço desculpa, por tal desaforo,
de não escrever odes de amor,
com tão desejado decoro,
por ser tamanha a dor.

Peço desculpa, meus amigos,
de pouco ter a rimar
em qualquer dos meus escritos,
e, assim, vos afugentar.

Peço desculpa, de verdade,
por não ter tamanho dom,
pois em poemas de qualidade
não sou assim tão bom.

Peço desculpa, com sentir,
pois assim escarneci,
fiz tudo a fingir,
aquilo que agora vos escrevi.

De nada me arrependo,
por ter assim brincado,
pois eu nunca aprendo
que sou por vós amado.

Tiago Alves

Chuva…

A chuva que de céus tenebrosos
se verte, impiedosamente,
fustiga-me a face, numa luta perdida
de purificação do abrigado em mim.

Essa água que, assim, é expulsa,
interrompe todo o seu processo,
finalmente ciente da inutilidade
a que se propôs realizar.

Agora, toda a que se perdeu, infrutífera,
é calcada, duramente, sem perdão,
por minhas botas impávidas, escarnecendo,
das lamúrias e sentimentos de estranhos
e, talvez, não reclamados, meus também…

Quem te manda a ti,
querer o meu não-querer?
Quem te diz, que sonhar-me
é passível de teus choros?

Pois, que, amargamente,
desprovida de tudo que fazias ter,
sintas o que sinto
e te acalmes num choro teu e interior…

Tiago Alves


Juventude

Jovens, reis do Universo,
vestidos de príncipes
em tamanha luxúria,
vivendo tediosamente
num mundo dado por perdido.

Juventude gerida por modas,
apaixonada por máquinas,
percorre caminhos,
que outros calcaram,
entregando-se a tudo
já antes existente!

Com a mente perdida,
frágil e vulnerável,
consideram-se imortais
até se encontrarem às portas
do fim das suas ilusórias vidas.

De onde já não poderão regressar,
restam-lhes agora,
as lágrimas do arrependimento
e as memórias dolorosas,
dos tempos idos
que não foram vividos.

Tiago Alves

Hora da minha morte

Pego, agora, num lápis,
e numa folha em branco,
esperando que este deslize,
e, calmamente, escreva o que sinto.

Não sou já o rapaz de antes,
deixei muito de mim para trás.
Todo este isolamento que criei,
mudou-me o ser, por completo.

Perdi muita da alegria sentida,
no fazer que tanto amava.
Perdi toda a excitação inata,
nada mais me dá prazer.

A minha alma apela a meios para rir.
O meu coração, já cansado,
aceita como um bem vital
esta fuga para o irreal.

E juro que pouco mais resistirei.
Choro já pela minha morte,
pela sua vinda solitária,
calma, sentida e fugaz.

E o suicídio aparenta-se-me
como a fuga que anseio.
Mas eu prendi-me, por amar,
e por tal prisão, choro de incapacidade.

Quero sentir na carne a foice mortal,
quero ouvir o gotejar do meu sangue,
que fede, já pútrido,
cair sobre o soalho poeirento,
de poucas pisadas impressas.

Mas peço-te, criatura cativante,
que quando vieres, implacável,
me não permitas o desabafar
de uma única palavra,
de um covarde não…

E peço-vos, meus amigos,
que se lágrimas correrem
na hora da minha ida,
sejam de alegria,
pelo descanso encontrado,
não de tristeza,
por vos ter, assim, deixado.

Afinal de tudo, é isto que me falta,
é isto que, cegamente, procuro:
o sentir da minha morte,
não por mim assinalada.

Tiago Alves


Luta interior…

Perco-me por este misterioso caminho
debaixo de uma límpida noite
de lua cheia, reconfortante ou medonha.
Passo por milhares de almas
que se deixam mergulhar
nos felizes sonhos que as acolhem.

E quando o martelar ritmado, frio e calmo
das botas no bruto solo se propaga
e, inaudível a muitos, se aproxima
e, secamente, te encosta o espírito revolto
ao que mais temes e evitas,
sei que hoje lutarás por saber quem sou.

Sais apressadamente,
e em conflito com a tua mente
vagueias, procurando-me,
na tentativa de, ainda, me alcançares.

E sabendo que me procuras,
continuo serenamente,
pelo caminho que agora escolhi,
percorrido por uma leve e fria aragem
de uma maresia nostálgica.

E ao de novo voltar a este paraíso,
aproximo-me da cristalina esmeralda,
que de lânguidas passagens,
finas e transparentes,
torna são o maculado areal revoltado.

Aqui e ali, asilos romanticamente gélidos,
envolvidos por uma penumbra cativante,
onde jovens apaixonados se perdem
nos braços do amante, num apelo ao prazer.

Vendado a tudo isto,
toco a preciosa esmeralda,
que a cada momento me transforma,
e por sobre a acalmada revolta,
estendo o meu devastado ser.

É então que te ouço aproximar,
devagar, mas ainda ofegante.
Vais dando passadas curtas e incertas,
de medo, esperando-me adormecido.

Ajoelhas-te a meu lado
e observas-me atentamente,
como a um bicho nunca antes visto
perante o qual ficamos curiosos e assustados.

Não te vejo,
mas sinto a tua luta interior,
que te vai consumindo por dentro,
sinto a tua mão tremente
a pairar sobre o meu peito sonolento.

É então que me tocas,
primeiro ao de leve,
incrédula por tanta ousadia,
depois, firme e segura,
mas ansiosa pelo meu acordar.

Finjo-me surpreendido,
pois sabia que aqui virias ter.
E agora que neste Éden,
ficamos, finalmente, sós,
recai um silêncio envergonhado sobre nós.

Todas as palavras trazidas no teu coração,
todas aquelas que fizeste por criar e decorar,
para não mais as esqueceres,
foram vãs, estando agora perdidas algures.

Pelas tuas faces, deslizam, suavemente,
pequenas esmeraldas que teimas em esconder.
Esmeraldas de alegria, por me veres,
de raiva, por não teres que dizer,
de espanto, por te amar,
de conforto, por te abraçar.

E ao olharmo-nos,
todas essas palavras esquecidas,
que julgavas importantes,
são pequenas para o que sentimos.

Tudo o que temos a dizer um ao outro,
todas as promessas do nosso futuro,
todo o nosso amor sentido,
encontra-se na simples e silenciosa
troca de olhares.

Aproximas-te ainda mais,
e deixas descair a tua cabeça,
de finos e suaves fios de carvão,
que me arrepiam a cada passagem,
no ombro do, agora, meu revigorado ser.

E ao fascinante sangrar da manhã,
quando tudo acorda
e se prepara para o dia que surge,
adormecemos como duas crianças cansadas,
felizes, de sorriso nos lábios.

Tiago Alves

Mais uma vez…

Espero mais uma noite,
talvez, de criança, já perdida,
Um cansaço que me assola,
que aceito, longe da razão.

Quedo-me a sós,
mergulhando a vista
num horizonte de breu,
que tenho como amigo
de tempos de memória perdida.

Prometendo-me tudo,
levaste-me ao nada!
Um vazio assustador que restou
que nevoeiro algum acalma!

Oiço o leve restolhar
de seres imunes ao que sinto,
que por ali dançam,
num gozo tremendo que invejo!

Rios de dor nascidos!
Lava de ira expelida!
Uma inutilidade desesperada,
que me preenche, arrebatadora!

De onde estou, fustigado,
vê-se o despontar, madrugador,
de um sol odioso,
que logo o vulcão adormece.

Prometendo-me tudo,
levaste-me ao nada!
Um vazio assustador que restou
que nevoeiro algum acalma!

E espero mais um dia…
Só mais um…

Tiago Alves


Não mais…

Que se dane a noite!
Que se dane o dia!
Que se dane tudo isto,
que de nada me valeu!

Ao diabo as insónias tidas!
Ao diabo as dores sofridas!
Ao diabo o relógio amigo,
que de nada me serviram!

Que se esqueça o amor,
de nascença, logo falso!
Que se apodere o ódio,
em tudo, mais leal!

Que todo o peso da cruz,
mil vezes lhe custe!,
que talvez assim aprenda
o valor do que se perdeu!

Nem mais uma noite ou dia!
Que se pare o relógio,
(nem mais uma badalada sufocante!),
que não mais espero,
que à minha vida,
por agora, pertenço completo!

Tiago Alves

Medo…

Medo?
Medo de quê,
se a morte não temo?
Medo de sofrer?

– Certamente!

Escrevi, calorosamente,
palavras de fúria,
de medos de amor…
Menti a quem as leu
e ao poeta que as escreveu.

E nesse rascunhar febril,
mil sentimentos surgiram,
que meu coração não abrigou.
Escritos orgulhosos no sentir,
desprovidos de minha alma.

A procura de um asilo,
a fuga à minha dor,
foi o ter sentido,
para além do permitido.

(Mas que dor essa,
que temerosamente escondida,
já não reconheço,
e se exalta e se impõe?

E se nunca tão sincero fui,
peço sentidas desculpas…
Enganos da minha razão,
que forçaram enganos do coração.

E tu, ó coragem,
que existes ao enfrentar
nossos medos, não o dos outros
és, finalmente, minha…

Tiago Alves


Culpa minha?

Que ganas de escrever!,
o que quer que seja,
grande ou pequeno!
Importa que se escreva!

Assisto sentado
sem cá estar!
Esta apatia enerva,
nem um entretém!

Viso o papel
e pego no lápis.
Que raiva de os ter
e de não os usar!

Tento amiúde,
pouco ou nada surge.
Maldito lápis,
que se eu sinto,
é dele a falha!

E se gatafunhos há,
não mais que isso?!
Culpa minha aqui
ou da folha sarapintada?

Minha culpa, talvez.
Não de certo, só talvez!

Tiago Alves

Vens?

Estamos cercados…
Corpos putrefactos,
suspensos na áspera corda
que lhes impede o livre respirar.

Capuzes toldando-lhes a visão,
enganados pelo saber ignorante, ignóbil.
Júbilo dos grandes,
pesares esquecidos, nunca sentidos
dos fantoches.

Doenças devastadoras
maleficamente se propagam!
Somos poucos, somos menos…
É possível!
Indubitavelmente…

Viremos costas,
deixemos para trás
todo o mundo servil,
todo o fel impingido.

Seremos artistas,
loucos e livres…
Para sempre jovens,
para sempre Homens…

Apanhemos o barco
que ruma à vida,
no mar intempestivo.
Levar-nos-á à deserta ilha…

Vens?

Tiago Alves

Surreal

Uma saída imprevista
de amigos e bebida
de contos e espantos,
de horas a falar.

Mil coisas ditas,
mil e uma desconhecidas.
Tanto para um dia
e tão pouco para mim.

Um pequeno crime
ali se passou;
uma certa incerteza
se nós o criámos.

Nesta noite terminei
abandonado, angustiado.
Com tão poucos,
grande fui,
e a sós nada sou.

Morte ao ser
morte a mim.
Corto a pele
e ela chora.

Mas que tristes lágrimas
assim derramadas.
Estanco-as, firme,
e rio-me perdido!

Tiago Alves


Calada Revolta

Arquejante de nada fazer,
levado no caos controlado,
guiado pelo falso querer,
temendo chegar atrasado.

Rios de sangue, em leitos, a escorrer,
no assédio ao poder.
Um punhal de gume afiado
pelo diamante em bruto, não lapidado.

A morte, que antes ausente,
à sua porta se apresenta,
bate calmamente,
muda, mouca e sorridente.

No chão já carcomido,
um corpo inerte estendido.
Tudo o que daí se solta,
para sempre uma calada revolta.

Tiago Alves

__________________________________________________

Olhos que passam por nós com gelo dentro

Na ternura dos teus olhos me vejo e me revejo ao pôr-do-sol
Sabendo ainda deles a saudade; antes do dia
Era demasiado cedo, eu sei, para te dizer que o gelo
Queimou as pontas das agulhas nos pinheiros
Folhagem despida nos troncos e eu sem mar
Pousada num vulcão aceso à beira a mim própria,
Nada pode existir antes do dia certo, dizem.
E eu de certezas nada mais sei do que um segredo
Calado em sílabas pausadas e depois embrulhado em voz pendente
Não é que fosse cedo, era muito menos do que isso;
Sem aurora toda a madrugada se estende fria.
E no calor que tarda quando a noite abrevia a exposição à perfeição da luz
A gente não sabe de outra imperfeição que não seja a d
as horas
Coladas à sombra; nas encostas onde não corre a lava
É de rocha sedimentada a fantasia dos olhos
Quando eles não se fixam e estão apenas de passagem.

ELIPSE
__________________________________________________

DIURNO

Foi Morfeu, quem esta noite

novamente me seduziu………

Foi contigo, no entanto que sonhei……

O teu toque que a minha pele sentiu……..

O teu beijo nocturno………

Ao de leve, irreal, imaterial

Marcado nos meus lábios…..

Noite de temporal,

mas não nos meus sonhos…….

Pois contigo sonho………….

À luz do dia,

sou eu quem te deixa ficar o meu beijo…..

Diurno…….

Para que sejas tu agora a sonhar comigo……….

Marta Vinhais

__________________________________________________

MÃE TOTAL!

Mãe Amor

Mãe ternura

Mãe vigor

Mãe carinho

Mãe de força

Mãe de raiva

Mãe caminho!

Mãe de aço

Mãe abraço

Mãe compasso

De espera

Quando é preciso

Mãe alerta

Mãe aviso!

Mãe cansada

Mãe sofrida

Mãe violada

Mas renascida

A cada instante

Mãe de ouro

Mãe diamante

Mãe tesouro!

Mãe Genial

Mãe de ferro

Ou Mãe cristal

Mas sempre, sempre
MÃE TOTAL!!!

Alexandre Gandum

40 comentários Add your own

  • 1. Victor Hugo Neves de Carvalho  |  Dezembro 15, 2006 às 5:41 pm

    Quero particpiar do concurso, me enviem material informatuvo, em portugues. Grato, Vitor Hugo.

    Responder
  • 2. Carla Lopes  |  Dezembro 27, 2006 às 7:14 pm

    Gostei da iniciatiava e do que li.
    O meu voto vai para…Beijo

    Responder
  • 3. MGabriela Carrascalão  |  Janeiro 6, 2007 às 3:55 am

    Parabens por esta iniciativa.

    o meu voto vai para : O silencio de Ilona Bastos

    MGabriela Carrascalão

    Responder
  • 4. João F  |  Janeiro 7, 2007 às 6:49 pm

    Parabéns pela inciativa.

    Vou lê-los todos e votar, mas já me apercebi que a mesma pessoa pode votar várias vezes no mesmo poema :(-

    2 sugestões:
    i) colocarem na home page uma informação de que os poemas se encontram a votação na secção concurso;
    ii) ordenarem os comentários na ordem inversa ao que têm, i.é do mais recente para o mais antigo (caso seja possível)

    Quando termina a votação?

    abraço e força

    Responder
  • 5. João Miguel  |  Janeiro 19, 2007 às 6:04 pm

    Voto: Luta interior…

    Responder
  • 6. Luana Mota da Si9lva  |  Fevereiro 5, 2007 às 10:41 pm

    gostaria apenas de mostrar o meu sentimento através dos meus poemas, e escrever um livro para realizar o meu sonho.
    desde já, os meus agradecimentos.

    LUANA MOTA

    Responder
  • 7. Fallen_Angel  |  Fevereiro 6, 2007 às 1:15 pm

    Desesperado… 311 votos…

    Cada um pode votar no seu inumeras vezes, portanto perde um pc a credibilidade do concurso, gostei da iniciativa mas visto assim não tem o efeito pretendido.

    Responder
  • 8. Antonino de Capri  |  Junho 23, 2007 às 12:24 am

    Olá a todos
    não concorri, pois tenho alguma dificuldade em escrever em Português.

    Gostei muito do que li. Claro que há uns melhores que outros (como tudo)

    Não é que seja muito importante, mas como canta o “Beloso”:

    Responder
  • 9. Antonino de Capri  |  Junho 23, 2007 às 12:24 am

    Responder
  • 10. Antonino de Capri  |  Junho 23, 2007 às 12:25 am

    Responder
  • 11. Antonino de Capri  |  Junho 23, 2007 às 6:43 pm

    a minha mensagem ficou “a meio” e agora não consigo acabá-la mas o que estava a dizer é que

    Responder
  • 12. AdC  |  Junho 29, 2007 às 11:08 pm

    Responder
  • 13. Antonino de Capri  |  Julho 16, 2007 às 12:25 am

    Boas Férias
    “o italiano”

    Responder
  • 14. Antonino de Capri  |  Julho 16, 2007 às 12:26 am

    Já que a votação foi deturpada porque a mesma pessoa podia podia votar mais de uma vez sugiro que usem a vossa sensibilidade e critério e escolham entre todos os enviados a concurso.

    Responder
  • 15. Antonino de Capri  |  Julho 16, 2007 às 12:27 am

    <<O prometido e devido”! E vocês prometeram eleger um poema entre os mais votados.

    Agora que as aulas acabaram devem ter mais tempo para “cumprir” a promessa.

    Responder
  • 16. vania fernandes  |  Dezembro 10, 2007 às 10:35 am

    á uns dias escrevi uns poemas e enviei para este concurso, mas por sinal ainda não está nenhum publicado para poderem votar.
    gostava de saber o que se passa.

    agradecia que respondessem ou então que publicassem os meus poemas.

    sem mais assunto,
    Vânia Fernandes.

    Responder
  • 17. Ana Isabel  |  Dezembro 23, 2007 às 8:40 pm

    li algumas obras fantasticas aqui… parabens pra quem fez todos estes poemas… estão muito bons… mas agora podem me dizer como se pode participar??? bjs fiquem bem

    Responder
  • 18. JAIRO DE LIMA ALVES  |  Abril 15, 2008 às 12:37 am

    SIM, APRECIEI, E MUITO, O SEU ESTILO.
    OS POEMAS SÃO SIGNBIFICATIVOS E ENVOLVENTES.
    POR GENTILEZA, VISITE O MEU BLOG:

    http://www.tribunadopovocidade.blogspot.com

    Até breve.

    JAIRO DE LIMA ALVES, FRC
    MUNDONOVO, 14.04.2008

    Responder
  • 19. JAIRO DE LIMA ALVES  |  Abril 15, 2008 às 12:38 am

    RECEBEU A MENSAGEM?

    ENTÃO, POR FAVOR, RESPONDA!

    Responder
  • 20. Cris  |  Abril 24, 2008 às 3:56 pm

    Giram em torno a mim as máscaras dançantes,
    em meus ouvidos a sussurrar,
    são de infausta beleza alcova de sua podridão…
    isolando seus medos em inatingíveis alcáceres á fim denão os expor, todos afastam de seus alaridos…
    Camuflam-se os angustiados sem permitir revelar seus olhos sem alma…
    Por quantas noites mais ainda perdida nesse teatro estarei?
    Posso eu acaso jazir também à sombra de uma máscara?
    Quão transformadas são as faces a apagar lembranças e histórias e quão cobertas são pelo que julgam melhor…
    faces essas mesmo em vida apodrecem, muito dedicam-se ao que em instantes se finda…
    Corpos de carne fria carregam amargos espíritos, pra tudo mais são inúteis…
    depois de esculpidos à gosto do autor, tornarão fértil o solo e saciados os vermes.
    Alcanção o céu dedos de gelo, irreais à dar livre sensação,
    derretem sua verdade ao florescer a hipocresia.
    Quão livres podem ser os detentos dessa cela angusta ao desaparecerem atrás de suas peles de cera?
    Onde estás agora o troféu exposto que aqui reluzia?
    Em que trevas jaz agora à esquecer suas vaidades?
    És pedra áspera, altar de máguas vãs e lembranças inúteis, à sentir podres as raízes das flores lhe entrando nos olhos, não ousam nem elas desbrochar sobre tão fútil matéria…

    Responder
  • 21. erika  |  Abril 26, 2008 às 8:54 am

    Olhos que passam por nós com gelo dentro
    Na ternura dos teus olhos me vejo e me revejo ao pôr-do-sol
    Sabendo ainda deles a saudade; antes do dia
    Era demasiado cedo, eu sei, para te dizer que o gelo
    Queimou as pontas das agulhas nos pinheiros
    Folhagem despida nos troncos e eu sem mar
    Pousada num vulcão aceso à beira a mim própria,
    Nada pode existir antes do dia certo, dizem.
    E eu de certezas nada mais sei do que um segredo
    Calado em sílabas pausadas e depois embrulhado em voz pendente
    Não é que fosse cedo, era muito menos do que isso;
    Sem aurora toda a madrugada se estende fria.
    E no calor que tarda quando a noite abrevia a exposição à perfeição da luz
    A gente não sabe de outra imperfeição que não seja a d
    as horas
    Coladas à sombra; nas encostas onde não corre a lava
    É de rocha sedimentada a fantasia dos olhos
    Quando eles não se fixam e estão apenas de passagem.

    erika

    Responder
  • 22. barby  |  Maio 5, 2008 às 6:25 pm

    eu quria mandar!!

    Responder
  • 23. Fátima Lopes  |  Maio 14, 2008 às 11:44 am

    Vou por este mar imenso
    Continuo sem parar
    Juro que por vezes penso
    Em parar de navegar

    Mas há o vento, que sôfrego
    Nunca me deixa abrandar
    Diz que dentro dele existe
    Uma força a empurrar

    E os anos vão passando
    Meu Deus, quando serei…
    Um outro elemento…diferente
    De tudo aquilo que sei

    Porque o saber é riqueza
    E por vezes sofrimento
    Quando o mal se conhece
    Nada serve de alento

    Pergunto-me sem parar
    O porquê de ter nascido
    Se em minhas mãos nunca esteve
    Um amor ou um caminho?

    Amores…não conheci!
    E nos caminhos que errei
    Fui dar a portas fechadas
    E em nenhuma eu entrei

    Ao fundo do poço eu vou
    Buscar a tal coragem
    Que me faz continuar
    Sem nunca deixar margem

    P’ra reclamar ou dizer
    Que quero desistir
    Uma voz chama por mim
    NÃO POSSO RECUSAR OUVIR!

    Fátima Lopes

    Responder
  • 24. livia souza puertas prates  |  Agosto 4, 2008 às 6:49 pm

    o meu mundo é diferente
    cheio de destruição
    com corupção
    e muito exploração

    o meu mundo é diferente
    sem valorização
    sem respeito
    sem união

    meu mundo é diferente
    porque ele é diferente
    o meu é diferente
    o nosso é diferente.

    Responder
  • 25. xuxa  |  Setembro 21, 2009 às 10:47 pm

    ronaldo

    Responder
  • 26. elienay  |  Setembro 15, 2010 às 2:47 pm

    Meu companheiro menino
    perante o azul do teu dia,
    trago sagradas primícias
    de um reino que vai se erguer
    de claridão e alegria

    É um reino que estava perto,
    de repente ficou longe;
    não faz mal,vamos andando,
    porque lá é nosso lugar.

    vamos remando,leonardo,
    porque é preciso chegar.
    teu reino ferindo a noite
    e vai construindo a manhã.

    Responder
  • 27. a  |  Agosto 17, 2011 às 3:14 pm

    sd

    Responder
  • 28. Maria Teresa Ferreira  |  Outubro 31, 2011 às 4:07 pm

    Amo poesia e escrevo-a desde catraia, embora não saiba de ela tem alguma qualidade, são apenas escritos de alma.
    Não me apercebi do vosso concurso de poesia!
    Agradeço que me informem, se possivel, de uma proxima oportunidade, para o meu mail – mteresasferreira@gmail.com. –
    Um bem hajam por este magnifico blogue

    Maria Teresa Ferreira

    Responder
    • 29. MARYAYGA SEMPRE ALMAS GEMEAS - ANGEL LUZ POEMAS - LARA SEMPRE ALMAS GEMEAS  |  Dezembro 28, 2012 às 4:57 am

      Voa meu sabiá, pra um lugar lindo e distante,
      em busca de meu viver,
      voa meu sabiá coração,
      voa pela imensidão e encontre minha paixão.
      Voa meu coração,
      por esta terra abençoada,
      traga logo o meu amado

      Nesses vôos que tu deres,
      se encontrares quem tanto quero,
      diga a ele que lhe espero.
      Diga que estou sofrendo,
      que a saudade me domina,
      que seus beijos me enlouquecem,
      que seu corpo me alucina.

      Voa meu sabiá,
      nas madrugadas da vida,
      seja veloz e matreiro,
      e traga o meu querido,
      pois, no espelho ainda vejo aqueles pelos infinitos,
      aquele corpo excitante,
      aquela boca que me alucina.

      Voa meu sabiá coração,
      seja rápido e eficiente
      e demonstre então a ele que a desejo ardentemente.
      Voa alto sabiá,
      pois achá-lo agora é sua regra,
      lembre a ele os momentos de nossa mútua entrega.

      Voa meu sabiá coração,
      leve todo o meu carinho,
      diga a ele que estou triste
      e que ainda estou sozinha…
      Procure no mundo todo,
      se assim preciso for,
      e lhe encontre eu suplico,
      encontre o meu grande amor.

      Nos meus sonhos e devaneios,
      o tenho sempre comigo,
      se pecados cometi, a distância é meu castigo
      Voa meu sabiá,
      me traga boa notícia,
      traga ele e sua alma,
      com sua eterna malícia.

      Sedução que me arrebata,
      malícia que me arrepia,
      o corpo que me aquece,
      a boca que me sacia
      Voa meu sabiá coração,
      me faça este favor,
      cruze as barreiras do espaço,
      mas traga o meu amor…

      MARYAYGA

      Responder
  • 31. Maria Teresa soares ferreira  |  Dezembro 28, 2012 às 6:27 pm

    Acho esta iniciativa otima, mas gostaria que me informassem quando é que os poemas vão a concurso para eu poder concorrer tambem

    Maria Teresa Ferreira

    Responder
  • 32. Auxiliadora de Lira Lopes Umeda  |  Maio 26, 2013 às 2:19 pm

    Auxiliadora de Lira Lopes Umeda – Gostaria de participar do concurso, gostaria de saber de que forma posso participar.

    Responder
  • 33. Jose Carlos Sc  |  Dezembro 30, 2013 às 6:27 pm

    Batem à porta…
    Eu vou ver se és tu…
    Eu vou sempre ver se és tu…
    Mas nunca és!

    Assim como a canção só o é se cantada…
    Assim como o mundo não acaba no fim de uma estrada…
    Assim como o poeta só é grande se sofrer…
    Viver sem a tua presença é o mesmo que não viver!

    O tempo não para! Mas esta saudade faz com que eu pare no tempo…e sinta saudade!

    Responder
    • 34. SILVIA  |  Janeiro 16, 2014 às 3:39 am

      LINDOO, TAMBÉM SOU DE SC, ESCREVO POESIAS, SOU DE URUSSANGA.
      PARABÉNS E SUCESSO.

      Responder
      • 35. José Carlos SC  |  Julho 21, 2014 às 10:25 pm

        Obrigado, Silvia!

  • 36. felipe  |  Novembro 4, 2015 às 8:39 pm

    eu tambem escrevo poesia

    Responder
  • 37. evelyn  |  Março 11, 2016 às 11:46 am

    queria te dar um poema mas vc e verso mas lido que a vida ja escreveu …………………….. foi eu que fiz gente sera que ganho da de camila a dela e essa meu nome e sofrer meu sobrenome e amar meu apelido e sonhar sonhar e te ter

    Responder
  • 38. evelyn  |  Março 11, 2016 às 11:48 am

    lindo o meu e o dela mas quem presisar e so copiar e me manda por IMEIL #EVELLYNCAROLINEOLIVEIRA@GMAIL.COM

    Responder
  • 39. joaob  |  Abril 20, 2016 às 5:00 pm

    gostava de participar deixo aqui um poema

    A minha cena

    A minha cena
    É lutar até ao fim
    A minha cena
    É catar ouro e marfim

    A minha cena
    É combater a desumanidade
    A minha cena
    É apenas contribuir para a felicidade

    A minha cena
    É viver em paz
    A minha cena
    É Ser um bom rapaz

    A minha cena
    É evitar o conflito
    A minha cena
    É por fim ao delito

    A minha cena
    É ser original
    A minha cena
    É escrever um horrendo final

    A minha cena
    É contribuir para o civismo
    A minha cena
    É por fim ao opurtunismo

    A minha cena
    É acabar com a desigualdade
    A minha cena
    É atingir uma única verdade

    A minha cena
    É fazer acontecer
    A minha cena
    É apenas na vida vencer

    Responder
  • 40. joaob  |  Abril 25, 2016 às 1:35 pm

    Tempo que nos tramou

    Te conheci
    E me perdi
    Mas não foi nas caraíbas
    Não foi nas arribas
    Me perdi no meu intimo
    Perdi toda a direção e noção
    Mas continuei, continuei parado no mesmo lugar
    E fiquei assim a aguardar
    Sim aguardei dias
    Muitos dias
    Muitos meses
    Muitos anos
    Adormeci sem dar conta
    Me deitei naquela ponta
    O sonho foi minha afronta
    Não podia fazer frente
    Foi muito tempo…
    Que tu não chegaste
    Dor em mim causaste
    Noites acordado a fio
    Foram o grande desafio
    Mas o maior foi aquele vazio
    Que tu provocaste em mim
    Esse sim foi o maior deles todos
    Tonturas, delírios foram alguns deles
    Estar á altura também foi um desafio
    Mas esse aí, esse não tinha cura
    Já era uma doença avançada
    Já muito alastrada
    Não havia cura para tanto desolamente
    Nem betadine para curar o ferimento
    Tu também
    Tu também passaste anos á minha espera
    Há espera que viesse a primavera
    Mas vinha o inverno
    Vinham folhas soltas daquele caderno
    Daquele tirano que se dizia tão sobrano
    Mas só nos causou tanto dano…

    Responder

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