Não digas nada!

Junho 24, 2007

Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender -
Tudo metade
De sentir e de ver…
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada…
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

Fernando Pessoa

Entry Filed under: Fernando Pessoa. .

6 Comments Add your own

  • 1. joseph  |  Junho 25, 2007 at 12:53 pm

    Bem bonito, esse poema! Adoro Fernando Pessoa, é um orgulho falar a mesma língua que ele, mesmo sendo brasileiro…
    Abraços para todos vocês aqui do blogue!

    Joseph

  • 2. Inominável  |  Julho 14, 2007 at 11:37 pm

    e sobretudo, não a verdade… e sobretudo, nada que possa ser um dia verdade… ou uma noite… quero APENAS as mentiras que me contam à noite…

  • 3. Eduardo  |  Julho 16, 2007 at 2:06 pm

    FP é extraordinário. O poeta que teve uma sintonia fina com ele aqui no Brasil foi Manuel Bandeira, há muitos enfoques comuns entre eles, uma ansiedade de vivenciar
    sem comprometimentos, sem resquícios, sem arrependimentos… Maravilhosa a poesia!

  • 4. Márcia  |  Abril 18, 2008 at 3:58 pm

    Palavras para quê ? Fernando Pessoa era um poeta com um dom enorme , tenho tanto orgulho …
    Os poemas dele são sem dúvida algo que nem sempre é fácil chegar-se a uma definição ou explicação, são por vezes uma enorme confusão,embora são uma autêntica perfeição. =D

  • 5. Brunna Rafael Dos Santos  |  Maio 5, 2008 at 2:14 pm

    Fernando Pessoa eu adorei esse poema
    continui assim como q vc e ai vc vai longe
    BEIJAO ABRAÇOS

  • 6. VFS  |  Maio 9, 2008 at 2:48 pm

    NÃO DIGO NADA! (PARA FERNANDO PESSOA)

    Não digo nada!
    Sigo o teu conselho.

    Ouso-me.
    E deleito-me,
    no aconchego das palavras [mudas],
    num encantamento que me embala …
    … e preenche.

    Que nos faz unos
    – em tudo e nada –
    aos momentos já vividos
    e aos ainda não tidos.

    Não disse nada

    E se algo perdi,
    que de todo desconheço,
    tudo senti.

    Na fluidez do nada também fui.

    E o som da jornada emudeço!

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